EXISTE LIVRE ARBÍTRIO?

 

LIVRE ARBÍTRIO?

 

O que é o livre-arbítrio?

Do latim libertas, -atis, de liber, “homem livre” por oposição ao escravo.

Liberdade - A palavra liberdade de acordo com a etimologia grega de eleutheria significava liberdade de movimento. É simplesmente a capacidade do corpo de se mover sem limitações externas. Poder e liberdade eram palavras praticamente sinônimas. A liberdade era entendida como a capacidade de se mover sem impedimentos, seja por fraqueza física ou necessidade, ou mesmo como um obstáculo oposto ao comando de um mestre. Assim, o significado no grego estava relacionado à falta de restrições e limitações.

Em suma, pode-se dizer que o livre-arbítrio é a capacidade de decidir sem nenhuma influência ou condição. Como dito, o livre arbítrio é uma expressão da liberdade de arbítrio humano em seu sentido absoluto.

 

O arminianismo - Pelo menos em sua forma clássica, nega o livre-arbítrio após a queda. Tanto para Jacob Arminius quanto para arminianos como John Wesley, o livre arbítrio do homem caído foi destruído. A menos que a graça divina ajude, a vontade do homem é livre apenas para o mal. Claro, este tipo de Arminianismo é muito diferente do Arminianismo mais prevalente hoje.

O calvinismo - também nega o livre-arbítrio após a queda do homem. Essa visão entende que o homem natural é livre para escolher apenas o mal. Sua vontade é escravizada pelo pecado e, portanto, não pode fazer o bem espiritual ou adorar a Deus. Neste caso, a menos que o Espírito Santo regenere o pecador, ele nunca poderá desejar ou amar as coisas de Deus.

 

 

 

 

O livre-arbítrio e o cristão.

Somos servos de Deus ou filhos de Deus?

Muitos pensam que as expressões "servos de Deus" e "filhos de Deus" são contraditórias. Essa dúvida decorre principalmente do fato de que a palavra “servo” no Novo Testamento traduz a palavra grega doulos, que significa “escravo”. Portanto, a frase "servo de Deus" significa literalmente "escravo de Deus". Mas não é uma contradição ser servos de Deus e também filhos de Deus. (Rm 6. 15-23).

 

No livro Escravo, John MacArthur (considerado o maior hermeneuta e exegeta vivo) traz à luz um elemento essencial da identidade do cristão, que ficou oculto a partir da tradução de muitas versões modernas da Bíblia. Neste livro, MacArthur resgata a correta tradução da palavra grega doulos, que é de grande importância para o bom entendimento do que é ser um cristão genuíno. Presente 124 vezes no texto original do NT, a palavra escravo (doulos), por motivos incertos, foi substituída por servo. Segundo MacArthur, essa tradução incorreta acobertou o verdadeiro significado do termo escravo e trouxe grande perda para o ensino correto do evangelho, o qual ordena que os crentes se submetam a Cristo completamente, não apenas como servos contratados, mas como quem pertence inteiramente a Ele. A partir desta correta compreensão, MacArthur convida o leitor a redescobrir uma antiga e rica perspectiva do significado de ser escravo de Cristo.

 

Dessa maneira a vontade humana está colocada no meio, como um jumento. Se Deus está sentado nele, ele quer e vai como Deus quer, conforme diz o Salmo: “tornei-me como jumento, e estou sempre contigo” (Sl. 73.22s.). Se Satanás está sentado nele, ele quer e vai como quer Satanás, e não está em seu arbítrio correr para um dos dois cavaleiros ou procurá-lo; antes, os próprios cavaleiros lutam para o obter e possuir8. (Lutero -

 Revista Eletrônica Espaço Teológico ISSN 2177-952X. Vol. 9, n. 16, jul/dez, 2015, p. 180-187).

Assim, como antes de ser criado, o ser humano nada faz para ser humano, ou em nada se esforça para tornar-se uma criatura, assim também, depois de feito e criado, ele nada faz ou em nada se esforça para permanecer criatura; ambas as coisas acontecem somente pela vontade do onipotente poder e bondade de Deus, o qual nos criou e nos preserva sem nossa ajuda, mas não atua em nós sem nós, já que nos criou e preservou para que atuasse em nós e nós cooperássemos com ele, quer isso ocorra fora de seu reino pela onipotência geral, quer dentro de seu reino pelo poder singular do Espírito Santo. Antes de ser renovado em nova criatura do reino do espírito, o ser humano nada faz e em nada se esforça a fim de preparar-se para esta renovação, este reino; depois de recriado, nada faz e em nada se esforça para permanecer nesse reino, mas somente o Espírito Santo faz ambas as coisas em nós, recriando-nos e preservando-nos sem nós9. (LUTERO, Martinho. Obras selecionadas V. 4. Debates e Controvérsias, II. Sinodal. São Leopoldo: 1993, p. 178 ).

Em resumo: tendo em vista que a escritura anuncia a Cristo em toda parte (como já disse) por meio de comparações e antíteses, de modo que tudo que não tiver o espírito de Cristo submete a Satanás, à impiedade, ao erro, às trevas, ao pecado, à morte, à ira de Deus, todos os testemunhos que falam de Cristo combaterão o livre arbítrio. E esses são incontáveis, ou melhor, toda a Escritura10. (MARTINHO LUTERO).

 

Russel Chedd, Paul Tillich, Jonh MacArthur, Lutero, Walter J. Chantry, ...

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