Fé x Razão

 

Fé x Razão

 

            Primeiro vamos conhecer a etimologia dessas duas palavras:

             “razão” vem do latim rationem, que significa cálculo, conta, medida, regra, é derivada de ratio, ou seja, determino, estabeleço, e, portanto julgo. É a faculdade do homem de julgar, raciocinar, compreender e ponderar.

             “fé” é derivada do latim. Sua origem é o termo fidelitas, que significa adesão, que tem o significado de no sentido de crença ou confiança. A palavra “fiel” tem a mesma origem.

            Razão - Nós cristãos precisamos dá para crermos em JESUS, e da razão para demonstrar a nossa crença ao mundo. Veja o que o apóstolo Tiago nos diz: Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tg  2.18, ou seja a fé bíblica não é cega, a nossa fé tem uma base racional, e essa base racional é confirmada quando a ação do Espírito Santo nos leva a prática das boas obras.

            John Stott escreveu sobre a importância dos cristãos usarem a mente: "Deus fez o homem a própria imagem, e uma das mais nobres características de semelhança divina é a capacidade do homem de pensar (...) se algumas criaturas têm dúvidas, apenas o homem tem o que a Bíblia chama de 'entendimento' – SI 32.9- (...) Essa racionalidade básica do homem no ato da criação pode ser vista em todo lugar. De fato, nisto está baseado o argumento padrão da Escritura de que, se o homem é diferente dos animais, ele deve se comportar diferentemente: 'Não sejam como o cavalo ou o burro, que não tem entendimento' (...) O tema é claro e relevante".( Revista do Professor )

A razão pode ser usada para o fundamento de nossa fé. Por exemplo, eu preciso entender (razão) o que é pecado para poder confessá-lo. Eu preciso entender o porquê do sacrifício de Jesus na cruz, para que eu possa me encaixar nesse propósito salvífico. Eu não posso provar em laboratório a existência de Deus, mas eu posso averiguar que este Deus que eu creio veio e entrou na minha vida através da pessoa de Jesus Cristo, real, tangível e comprovado. Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).

Fé – O escritor aos hebreus nos apresenta de forma clara essa definição; Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem. Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho. Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. A fé é uma dádiva divina, e assim sendo, quanto mais conhecemos a Deus, maior será a nossa fé. Abraão estreitou tanto o seu contato com Deus, que chegou ao nível de fé que lhe permitiu oferecer seu filho a Deus, como sacrifício. Por isso ele é chamado de pai da fé.

A fé nos leva a crer no Deus invisível, essa crença nasce na alma das pessoas e se desenvolve a partir das experiências e observações ao longo da vida. Segundo Grundem (1994, p. 593) “Fé salvífica é confiança em Jesus Cristo como uma pessoa viva visando ao perdão dos pecados e à vida eterna com Deus”.

A fé foi um tema central da Reforma Protestante. Por isso a Igreja Reformada se empenhou muito em estudar o que é a fé bíblica, e destacou três aspectos da fé.

O primeiro aspecto implica em um conhecimento intelectual, e foi denominado pelo termo latino notitia. Basicamente esse aspecto significa “crer na informação”, ou seja, ele destaca o conteúdo sob o qual alguém tem fé. Isso indica que não adianta simplesmente crer. É necessário crer na informação correta.

O segundo aspecto diz respeito à concordância acerca da veracidade da informação. Esse aspecto é chamado de assensus, que implica num assentimento intelectual. Isso indica que não basta apenas crer no conteúdo correto, mas é necessário estar persuadido da verdade desse conteúdo.

Um exemplo que pode ajudar na compreensão deste ponto é o fato de que os demônios também creem. Sim, o diabo e os demônios creem e conhecem a verdade acerca de Deus (Tiago 2:4). No entanto, eles não possuem a fé verdadeira, a fé salvadora.

O terceiro aspecto é chamado de fidúcia. Ele expressa especialmente o sentido de confiança pessoal daqueles que possuem a verdadeira fé. Não basta apenas conhecer o conteúdo, e ter um mero assentimento intelectual, pois isto até os demônios tem. É o necessário depositar sem reservas sua vida em Cristo, confiando exclusivamente nele para sua salvação. Portanto, a verdadeira fé implica em compreensão, aceitação e confiança.

 

 

Pr. Edson Boaventura

                                                                                                            Teólogo

 

Bibliografia

Revista Betel do professor, 4º trimestre 2019.

Bíblia do Culto – ARC

Bíblia de Estudo Jonh MacArthur – ARA

Grundem, WAYNE. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. Ed. Vida Nova, 2ª reimpressão, 2017.

Severa, ZACARIAS DE AGUIAR. Manual de Teologia Sistemática. Ed. Santos, 2ª edição 2019.

https://estiloadoracao.com/o-que-e-fe/  

https://issuu.com/editorafiel/docs/guia_de_estudo_-_os_pilares_da_f_  https://www.biblegateway.com/passage/?search=hebreus+11&version=ARC

https://marcosandreclubdateologia.blogspot.com/https://marcosandreclubdateologia.blogspot.com/

https://ebd-betel.blogspot.com/2019/09/revista-betel-dominical-adultos-4.html

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O caráter de Deus no livro de Neemias

Argumentos bíblicos para combater a discriminação racial dentro do cristianismo.

Sou pentecostal, mas não oro em línguas, e agora! O Dom de Línguas é de fato, a evidência do Batismo no Espírito Santo?